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Review de ‘La La Land – Cantando Estações’: eles não fazem mais filmes como este


O magnífico musical de Damien Chazelle, estrelado por Ryan Gosling e Emma Stone, estreia no Brasil dia 19 de janeiro

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A Midiorama foi convidada pela Paris Filmes para ir na cabine de imprensa de ”La La Land – Cantando Estações” e conferir o filme antes de sua estreia nacional. Tido como a melhor produção do cinema em 2016 pela Variety e Rolling Stone, o musical de Damien Chazelle vem conquistando muitos admiradores e prêmios. Protagonizado por Ryan Gosling e Emma Stone, o filme abriu o Festival de Veneza em 2016 e foi premiado com o Leão de Ouro pela atuação de Emma Stone. A produção também integrou a programação do Festival Internacional de Toronto e levou o prêmio de melhor filme.

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O longa foi consagrado como o grande vencedor da 74ª edição do Globo de Ouro, concorrendo a 7 estatuetas e sendo premiado com todas elas nas seguintes categorias: Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Roteiro e Direção para Damien Chazelle, Melhor Trilha Original, Melhor Atriz de Comédia ou Musical para Emma Stone, Melhor Ator de Comédia ou Musical para Ryan Gosling e Melhor Música para “City of Stars”. O filme bateu recordes da premiação e se tornou a produção que mais venceu prêmios no Globo de Ouro, superando os clássicos “Um Estranho no Ninho” e “O Expresso da Meia-Noite”, que têm seis prêmios cada.

A trama conta a história de Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz, e Sebastian (Ryan Gosling), um músico de jazz dedicado, que estão lutando para sobreviver em uma cidade conhecida por esmagar as esperanças e quebrar os corações. Ambientado na moderna Los Angeles, este musical original fala sobre a vida cotidiana e explora a alegria e a dor de um casal que persegue os seus sonhos. No entanto, desde a sua abertura até o seu grande final, “La La Land” está recheado de alusões aos musicais da época de ouro de Hollywood.  O escritor e diretor Damien Chazelle delicadamente incluiu referências de grandes clássicos como ”Singing in The Rain”, ”Sweet Charity”, entre muitos outros, num romance atual e moderno.

Um exemplo claro das referências que o diretor aplicou no filme está durante a cena de “A Lovely Night”, quando o casal faz uma performance em um lindo cenário ao nascer do sol no Parque Griffith, em Los Angeles. Sebastian dá um giro no poste de luz de uma forma que lembra nostalgicamente o personagem Kelly no clássico ”Singin’ in the Rain”.

Algumas referências que Damien utilizou não ficaram tão claras, mas foram de todas sutis. Na canção “Someone in the Crowd”, Mia e suas amigas estão animadas para sair e se divertirem, mostrando um elenco todo feminino, vestido com cores vivas e alegres, assim como em “There’s Gotta Be Something Better Than This”, da adaptação de 1969 de ”Sweet Charity”.

Abusando dos clássicos, podemos dizer que o diretor de ”La La Land” buscou referências até mesmo na valsa de ”A Bela Adormecida” para criar a cena em que Mia e Sebastian voam e dançam no observatório. Será?

Para quem ama clássicos, principalmente dos anos 50 e 60, ainda pode divertidamente pescar no filme outras referências de ”An American In Paris”, “Funny Face” e musicais de Fred Astaire e Ginger Rogers.

A obra de Damien Chazelle é uma forma magnífica de prestigiar um romance de uma antiga Hollywood no atual presente. “É aquela janela”, diz Mia para Sebastian, “a janela que Humphrey Bogart e Ingrid Bergman olharam em ‘Casablanca’ ”. Os dois estão nos estúdios de gravação da Warner, onde Mia trabalha num café. A janela é, na verdade, a utilizada na filmagem do clássico. Chazelle descobriu isso depois de escolher a locação para o filme, e então introduziu a fala no roteiro.

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Existe um apelo emocional na trama que fala sobre a busca dos nossos sonhos por mais impossíveis que possam parecer. ”A vida pode continuar a me bater que eu vou estar aqui até isso acabar. Vai ser assim, eu vou vencê-la pelo cansaço”, diz Sebastian em uma de suas primeiras cenas. Somada à mensagem, está uma incrível trilha sonora que certifica todos os créditos do longa ter ganhado o Globo de Ouro por Melhor Trilha Original e Melhor Música para ”City of Stars”. Antes de chegar às salas de cinema, a trilha sonora foi lançada digitalmente pela Universal Music Brasil. Além disso, vale ressaltar a leveza do roteiro que tornou o filme uma comédia leve e, ainda assim, inevitavelmente encantadora.

Enquanto Emma Stone e Ryan Gosling estão longe de serem cantores ou dançarinos profissionais, o filme não tem nenhuma intenção de colocá-los como tais. Ambos atores cantaram com suas próprias vozes e performaram os passos de dança em takes contínuos, como foi feito em todos os números musicais do filme. Um longo, puro e real take, ao invés de cortá-lo e editá-lo para chegar a perfeição. Uma escolha pouco comum e arriscada, que deu muito, muito certo. Vale lembrar que Ryan e Emma já atuaram juntos em ”Crazy Stupid Love”, em português ”Amor a Toda Prova”, e em ”Gangster Squad”.

Nem todo mundo gosta de musicais, porém ”La La Land” é um prazer cinematográfico para os olhos e a alma numa junção de: fortes emoções que mantém o espectador envolvido com a temática, músicas mais do que memoráveis, clássicas referências, romance moderno, mega produção, roteiro, e um elenco que esbanja talento. Em uma cena do filme em que Mia se pergunta se as pessoas vão gostar da sua peça autoral, Sebastian responde: “Que se danem o que eles pensam”. Essa fala se refere mais à produção de Chazelle do que a própria peça da personagem. Neste momento, o diretor relembra aos espectadores que, na verdade mesmo, não importa se alguém não gostar do filme, desde que tenham pessoas que, seja pela música, pelos atores, pelos figurinos ou por todo conjunto da obra, se sintam convidadas a embarcar na incrível e emocionante viagem de ”La La Land”.

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Você pode dizer que Ryan Gosling não sabe cantar, que Emma Stone não sabe dançar, que não há um único personagem gay em um musical passado na Los Angeles atual. Pode até mesmo apontar a aparente contradição de um filme assumidamente saudoso da era do jazz ter uma trilha sonora com um punhado de baladas-chiclete. Você pode ter razão ou simplesmente assistir ao filme e deixar de lado todas essas opiniões.

Nós ouvimos bastante, principalmente das pessoas mais velhas, como “eles não fazem isso como antigamente”. De fato, há tempos que não vemos um musical de qualidade como este sendo produzido. Na própria trama, o personagem Sebastian brinca com o mesmo tema em referência ao jazz dos tempos antigos que está mudando e morrendo, assim como os musicais de qualidade. No entanto, “La La Land” (uma brincadeira com a abreviação de Los Angeles, L.A.) é um lembrete. Confirmando a crítica de David Sexton, do Evening Standard, que disse sobre o filme: “eles não fazem mais filmes assim”.

Não mesmo.

Então marca na agenda: a imperdível estreia de ”La La Land” acontece no Brasil dia 19 de janeiro!

Por Rebeca Dantas

 


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