O Fleetwood Mac, uma das bandas mais importantes da história do rock, terá sua trajetória retratada em um novo documentário oficial, com estreia mundial marcada para 29 de janeiro de 2027, na plataforma Apple TV. Intitulada Fleetwood Mac: The Chain, a produção reunirá entrevistas exclusivas com os integrantes, imagens de arquivo nunca divulgadas e registros de diferentes períodos da carreira do grupo, que vendeu mais de 220 milhões de discos em todo o mundo.
O anúncio foi feito pela Apple Original Films na quinta-feira, 22 de outubro, acompanhado de um primeiro teaser. O documentário será dirigido por Frank Marshall, cineasta indicado cinco vezes ao Oscar e responsável por produções musicais como The Bee Gees: How Can You Mend a Broken Heart, de 2020, e The Beach Boys, de 2024.
O filme terá como foco a formação mais conhecida do Fleetwood Mac, composta por Mick Fleetwood, John McVie, Christine McVie, Lindsey Buckingham e Stevie Nicks. A narrativa será construída a partir das lembranças e perspectivas dos próprios músicos, incluindo entrevistas recentes com os integrantes sobreviventes e depoimentos de arquivo de Christine McVie, que morreu em novembro de 2022, aos 79 anos.
Segundo a Apple, a produção abordará os momentos de sucesso e as dificuldades enfrentadas pelo grupo, procurando compreender como cinco personalidades diferentes conseguiram manter uma parceria musical mesmo diante de conflitos pessoais, separações, mudanças na formação e pressões decorrentes da fama.
A proposta é mostrar como essas experiências influenciaram diretamente a criação de músicas que atravessaram gerações, entre elas Dreams, Go Your Own Way, Don’t Stop, Rhiannon e The Chain.
O projeto foi anunciado originalmente em novembro de 2024, mas somente agora ganhou título oficial e data de lançamento. A produção é da The Kennedy/Marshall Company, em parceria com a White Horse Pictures, com roteiro de Mark Monroe.
Uma história de sucesso marcada por conflitos pessoais
Embora o Fleetwood Mac tenha sido formado em Londres, em 1967, pelo guitarrista Peter Green, ao lado de Mick Fleetwood e John McVie, o documentário concentrará sua narrativa principalmente no período iniciado em 1974, quando Lindsey Buckingham e Stevie Nicks passaram a integrar o grupo.
Na época, a banda já havia experimentado diferentes formações e estilos musicais. Inicialmente associada ao blues britânico, começou a desenvolver uma sonoridade mais próxima do rock e do pop, processo que se consolidou com a chegada dos dois músicos norte-americanos.
Buckingham e Nicks mantinham uma parceria musical e um relacionamento amoroso desde antes de ingressarem no Fleetwood Mac. A entrada da dupla, ao lado de Mick Fleetwood, John McVie e Christine McVie, estabeleceu a formação responsável pelo período de maior sucesso comercial da banda.
O álbum Fleetwood Mac, lançado em 1975, apresentou ao público músicas como Rhiannon, Landslide e Say You Love Me, abrindo caminho para uma projeção internacional ainda maior.
Entretanto, o crescimento da popularidade do grupo coincidiu com uma fase de instabilidade nos relacionamentos pessoais de seus integrantes.
Durante a preparação do álbum seguinte, Stevie Nicks e Lindsey Buckingham encerraram seu relacionamento, enquanto Christine e John McVie atravessavam uma separação. Mick Fleetwood também enfrentava problemas em seu casamento.
Essas experiências acabaram se refletindo diretamente nas composições e interpretações do grupo, criando uma relação entre os acontecimentos pessoais e o repertório que seria apresentado ao público.
O resultado foi Rumours, lançado em 4 de fevereiro de 1977, álbum que se tornaria um dos maiores sucessos comerciais da história da música.
Rumours completa 50 anos em 2027
A estreia de Fleetwood Mac: The Chain acontecerá poucos dias antes das comemorações dos 50 anos de Rumours, disco que transformou o Fleetwood Mac em um fenômeno internacional.
O álbum permaneceu durante 31 semanas no primeiro lugar da parada norte-americana Billboard 200 e conquistou o Grammy de Álbum do Ano, em 1978.
Entre suas faixas estão Dreams, Go Your Own Way, Don’t Stop, You Make Loving Fun, Gold Dust Woman e The Chain, músicas que continuam presentes nas rádios, plataformas digitais e repertórios de artistas de diferentes gerações.
Uma das características do trabalho é a maneira como seus integrantes transformaram experiências pessoais em composições que abordavam separações, ressentimentos, expectativas e a tentativa de reconstruir relacionamentos.
Go Your Own Way, escrita por Lindsey Buckingham, refletia o fim de seu relacionamento com Stevie Nicks. Já Dreams, composta por Nicks, apresentava outra perspectiva sobre a separação.
Christine McVie contribuiu com músicas como Don’t Stop e You Make Loving Fun, que também dialogavam com mudanças em sua vida pessoal.
O título do documentário foi retirado justamente de The Chain, única composição de Rumours creditada conjuntamente aos cinco integrantes da formação clássica.
A música, construída a partir de diferentes ideias desenvolvidas durante as gravações, tornou-se uma espécie de representação da relação entre os músicos: uma parceria marcada por tensões, mas sustentada pela criação artística.
O álbum permanece como um dos trabalhos mais conhecidos do rock dos anos 1970 e continua conquistando novos ouvintes. Em 2020, por exemplo, Dreams voltou às paradas musicais depois que um vídeo publicado no TikTok, no qual um homem andava de skate enquanto ouvia a canção, tornou-se viral.
O episódio demonstrou como o repertório do Fleetwood Mac continuava alcançando públicos que sequer haviam nascido quando o disco foi lançado.
Documentário também aborda reconciliação entre Stevie Nicks e Lindsey Buckingham
Outro aspecto que desperta interesse em torno do novo documentário é a relação entre Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, marcada por décadas de colaboração artística, conflitos e afastamentos.
Buckingham deixou o Fleetwood Mac em 2018, após divergências relacionadas aos planos de turnê do grupo. Na ocasião, foi substituído pelos guitarristas Mike Campbell, ex-integrante dos Heartbreakers de Tom Petty, e Neil Finn, do Crowded House.
A saída provocou uma ruptura na relação entre Buckingham e Nicks, que permaneceram afastados durante anos.
Entretanto, em declarações recentes, Buckingham afirmou que a participação no documentário contribuiu para uma aproximação entre os antigos parceiros.
Segundo o músico, o processo de revisitar a história da banda teve um efeito de reconciliação, permitindo que os integrantes refletissem sobre acontecimentos que haviam provocado desentendimentos no passado.
Ele também revelou que voltou a conversar regularmente com Stevie Nicks, embora não tenha confirmado qualquer plano de reunião musical.
A possibilidade de um retorno do Fleetwood Mac aos palcos permanece incerta, especialmente depois da morte de Christine McVie, em 2022. Stevie Nicks já declarou publicamente que considera difícil imaginar a continuidade da banda sem a presença da cantora e tecladista.
O último concerto do Fleetwood Mac aconteceu em 2019, durante a turnê An Evening with Fleetwood Mac, realizada com a formação que incluía Campbell e Finn.
Frank Marshall vai reconstruir a trajetória da banda
Responsável pela direção do documentário, Frank Marshall possui uma extensa carreira no cinema, tanto como diretor quanto como produtor.
Entre seus trabalhos estão produções de grande repercussão internacional, como Jurassic Park, Indiana Jones e O Sexto Sentido, além de documentários dedicados à história da música.
Em The Bee Gees: How Can You Mend a Broken Heart, Marshall explorou a trajetória dos irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb, abordando suas relações familiares, a transformação musical do grupo e os desafios enfrentados ao longo da carreira.
Já em The Beach Boys, lançado em 2024, o diretor recuperou a história da banda norte-americana por meio de entrevistas, imagens de arquivo e registros das gravações de seus principais trabalhos.
Ao anunciar o projeto sobre o Fleetwood Mac, em 2024, Marshall destacou seu interesse pela maneira como a banda conseguiu transformar acontecimentos pessoais turbulentos em músicas que se tornaram parte da cultura popular.
A nova produção seguirá uma abordagem semelhante, combinando depoimentos, material histórico e registros de apresentações para reconstruir a trajetória dos músicos.
O documentário também deverá abordar a importância das turnês e dos grandes concertos na consolidação do Fleetwood Mac, assim como as mudanças na indústria musical durante as décadas em que a banda esteve em atividade.
A inclusão de material nunca divulgado e de entrevistas exclusivas é um dos principais atrativos da produção, especialmente para os fãs interessados em conhecer os bastidores das gravações e as relações entre os integrantes.
Com mais de cinco décadas de história, o Fleetwood Mac construiu um repertório que ultrapassou diferentes gerações e estilos musicais. A banda foi incluída no Rock & Roll Hall of Fame em 1998, reconhecimento de sua contribuição para a música popular.
A estreia de Fleetwood Mac: The Chain, em 29 de janeiro de 2027, será uma oportunidade para revisitar essa trajetória sob a perspectiva dos próprios artistas, justamente no ano em que Rumours, seu álbum mais conhecido, completará meio século de lançamento.





























