Aos 27 anos, Olivia Dean atravessa o período de maior projeção de sua carreira. Depois de construir seu espaço na música britânica ao longo de quase uma década, a cantora e compositora londrina chegou a 2026 com seu nome entre os destaques do pop e do soul contemporâneos, impulsionada pelo sucesso de seu segundo álbum, The Art of Loving, e de singles como “Man I Need”, “So Easy (To Fall in Love)” e “Nice to Each Other”.
Em fevereiro, Dean conquistou o Grammy de Artista Revelação (Best New Artist), sua primeira indicação e também sua primeira vitória na premiação norte-americana. Poucas semanas depois, recebeu quatro troféus no BRIT Awards 2026, incluindo Artista do Ano e Álbum do Ano.
O crescimento também pode ser medido pelo tamanho dos palcos. A artista, que poucos anos atrás se apresentava em clubes britânicos, passou a ocupar algumas das principais arenas da Europa e dos Estados Unidos. Neste sábado, 1º de agosto, será uma das atrações principais do Lollapalooza Chicago, no Grant Park, antes de seguir com uma agenda que inclui quatro apresentações no Madison Square Garden, em Nova York.
Uma carreira construída aos poucos
Nascida em Londres em 14 de março de 1999, Olivia Lauryn Dean cresceu em Highams Park, no nordeste da capital inglesa. A música esteve presente desde cedo em sua formação, com referências como Lauryn Hill, Jill Scott, Angie Stone, Carole King e Al Green. Seu nome do meio, Lauryn, foi escolhido pela mãe em homenagem a Lauryn Hill.
Ainda adolescente, Dean ingressou na BRIT School, instituição londrina que também teve entre seus alunos nomes como Adele, Amy Winehouse, Jessie J, RAYE e FKA twigs. Inicialmente interessada por teatro musical, acabou direcionando sua formação para a composição.
Uma das primeiras experiências profissionais importantes veio com o Rudimental. Por volta dos 18 anos, começou a trabalhar como backing vocal do grupo britânico, experiência que permitiu à cantora conhecer grandes palcos antes mesmo de estabelecer sua carreira solo.
Em 2018, lançou “Reason to Stay”. No ano seguinte veio o EP OK Love You Bye, seguido por What Am I Gonna Do On Sundays?, em 2020. Os trabalhos começaram a definir uma identidade musical marcada pela aproximação entre soul, R&B, jazz e pop e por letras frequentemente construídas a partir de relacionamentos e experiências pessoais.
A primeira mudança significativa de escala ocorreu com Messy, álbum de estreia lançado em 2023. O disco alcançou o quarto lugar da parada britânica e apresentou Dean a uma audiência maior, impulsionado por músicas como “Dive”, “Danger”, “The Hardest Part” e “UFO”.
Messy também rendeu uma indicação ao Mercury Prize, uma das principais premiações da música britânica e irlandesa. No mesmo período, Dean foi escolhida Artist of the Year pela BBC Music Introducing e passou a aparecer entre os indicados ao BRIT Awards.
Nos anos seguintes, ampliou sua presença nos palcos. Apresentou-se no Glastonbury, realizou turnês próprias e participou de shows de artistas como Sabrina Carpenter e Sam Fender.
A dimensão dessa evolução ficou evidente em abril de 2026, quando iniciou sua primeira turnê de arenas em Glasgow. Durante o show, Dean lembrou que havia tocado para aproximadamente 300 pessoas no King Tut’s, na mesma cidade, apenas dois anos antes. Desta vez, encontrou cerca de 14 mil pessoas na OVO Hydro.
The Art of Loving leva Olivia Dean ao topo das paradas
Foi com The Art of Loving, lançado em setembro de 2025, que a carreira da cantora alcançou uma nova dimensão internacional.
Construído em torno das diferentes formas de amor — romântico, familiar, platônico e também da relação consigo mesma —, o segundo álbum ampliou a sonoridade apresentada em Messy, incorporando referências de soul, jazz, R&B, pop e elementos de bossa nova.
O disco chegou ao primeiro lugar da parada britânica de álbuns e entrou no Top 3 da Billboard 200 nos Estados Unidos. Quase um ano após o lançamento, o trabalho continua entre os álbuns mais consumidos no mercado norte-americano.
O principal responsável pela expansão internacional foi “Man I Need”. O single alcançou o primeiro lugar no Reino Unido e chegou à segunda posição da Billboard Hot 100, tornando-se o maior sucesso solo da cantora até agora.
No mercado britânico, a música manteve uma longa permanência entre as faixas mais ouvidas. Segundo dados divulgados pela Official Charts Company ao final do segundo trimestre, “Man I Need” acumulou mais de 152 milhões de streams no Reino Unido somente em 2026 e liderava naquele momento o ranking das músicas de maior desempenho do ano.
“So Easy (To Fall in Love)” também chegou ao grupo dos dez maiores sucessos de 2026 no país. Durante esse período, Dean tornou-se a primeira artista solo feminina a colocar quatro músicas simultaneamente no Top 10 britânico.
Outro capítulo importante foi a parceria com Sam Fender em “Rein Me In”. A música havia aparecido originalmente em People Watching, álbum do cantor, e posteriormente ganhou uma versão com a participação de Dean. A colaboração chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e se tornou um dos maiores sucessos britânicos do ano.
A parceria também passou para os palcos. Dean participou de uma apresentação de Fender no London Stadium diante de cerca de 80 mil pessoas, enquanto o músico apareceu posteriormente como convidado em um dos shows dela na O2 Arena.

O reconhecimento da indústria veio no início deste ano. Em 1º de fevereiro, durante a 68ª edição do Grammy Awards, Olivia Dean venceu Artista Revelação, superando concorrentes como KATSEYE, The Marías, Addison Rae, sombr, Leon Thomas, Alex Warren e Lola Young. Foi sua primeira indicação ao Grammy e sua primeira vitória na premiação.
Em seu discurso, a cantora mencionou a história de sua família e lembrou ser neta de uma imigrante. Sua avó materna, Carmen, deixou a Guiana ainda jovem e chegou ao Reino Unido durante o período associado à geração Windrush (nome dado às pessoas que migraram principalmente de países do Caribe para o Reino Unido entre 1948 e 1971, período em que o governo britânico incentivava a chegada de trabalhadores vindos das antigas colônias para ajudar na reconstrução do país após a Segunda Guerra Mundial).
Poucas semanas depois, Dean confirmou seu momento no BRIT Awards 2026. Das cinco indicações recebidas, venceu quatro: Artista do Ano, Álbum do Ano por The Art of Loving, Artista Pop e Canção do Ano por “Rein Me In”, com Sam Fender.
A temporada de premiações ainda pode render outro reconhecimento. Nesta quinta-feira, 30 de julho, The Art of Loving foi anunciado entre os 12 indicados ao Mercury Prize 2026. Dean retorna à disputa três anos depois da indicação de Messy e concorre desta vez com artistas como Paul McCartney, RAYE, Dave, Florence + The Machine e Suede. O vencedor será anunciado em 22 de outubro, em Newcastle.
Turnê chega às grandes arenas
A expansão da carreira de Olivia Dean também está refletida em The Art of Loving Live. A primeira etapa de arenas começou em abril no Reino Unido, com apresentações em Glasgow e Manchester e uma série de shows na O2 Arena, em Londres. Novas datas precisaram ser acrescentadas diante da procura por ingressos.
A turnê seguiu pela Europa, passando por países como Bélgica, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça, Itália e França. Na abertura em Glasgow, a NME concedeu quatro estrelas ao espetáculo e destacou justamente a mudança de escala alcançada pela cantora.
Agora Dean percorre a América do Norte. Depois de passar por cidades como San Francisco, Los Angeles, Las Vegas, Salt Lake City, Denver e Minneapolis, chega neste sábado, 1º de agosto, ao Lollapalooza Chicago, onde encerra a programação do palco T-Mobile. No mesmo dia, o festival recebe artistas como JENNIE, The Neighbourhood, Ethel Cain, Leon Thomas, Clipse e Wolf Alice.
Em seguida, ela retoma a turnê própria. Estão programadas apresentações em Toronto, Montreal, Boston e Baltimore, antes de uma sequência de quatro noites no Madison Square Garden, em Nova York, nos dias 14, 15, 17 e 18 de agosto. A etapa norte-americana prossegue por Atlanta, Houston e Austin.
Nos dias 26 e 27 de setembro, a praia de Santa Monica, na Califórnia, recebe a primeira edição do Ocean Way Festival, promovido pela Goldenvoice, responsável também pelo Coachella. The Killers e Olivia Dean foram anunciados como os principais nomes do evento, com a cantora escalada para o dia 27.
Em outubro, a agenda segue para Austrália e Nova Zelândia, com apresentações programadas em Melbourne, Sydney, Brisbane e Auckland.
A passagem de pequenos clubes para arenas internacionais aconteceu de maneira gradual. Entre a experiência como backing vocal do Rudimental, os primeiros EPs, a indicação ao Mercury Prize por Messy e o sucesso de The Art of Loving, Dean construiu uma trajetória que ganhou velocidade principalmente a partir de 2025.





























