Desde que começou sua carreira solo no distante ano de 1992, o carioca Paulo Corrêa de Araújo assume visualmente pela primeira vez a mosca que o nome artístico o qual adotou faz alusão.
Em seu novo show de circulação “Violoz” – uma criativa referencia o fato do show ser violão e voz – logo que as cortinas se abrem o fundo de palco é decorado com uma espécie de móbile redondo com a impressão de uma mosca. A mesma mosca está nas camisas da equipe técnica de Paulinho.
Moska entra no palco de paletó e tudo mais e começa a tocar o primeiro violão do show. Logo de cara já entoa os versos de “A Idade do Céu”, versão sua para a bela “La Edad Del Cielo” do seu amigo uruguaio Jorge Drexler “padrinho” de Paulinho na America Latina onde hoje Moska é sucesso. Ao longo do espetáculo Paulinho Moska passeia do Paulinho compositor ao intérprete de suas próprias canções e arriscas belas tiradas cênicas falando de seus 6 instrumentos dispostos no palco como se fossem mulheres. Na verdade garotas pelas quais ele foi se enamorando e delas arrancou canções. Canções que caíram na boca do Brasil, embalaram tantos momentos e emocionaram o público cearense na noite de estréia de “Violoz” no teatro RioMar.
Conversando mais cedo com ele na platéia do teatro me confessou que não se considera um intérprete mas sim acima de tudo ele vê a si próprio como um compositor. Mas na verdade o que vimos naquela noite também foi Moska deixando sim sua marca de um singular intérprete ao fazer suas releituras de jóias do cancioneiro da música brasileira como “Terra” de Caetano Veloso, “Enrosca” de Guilherme Lamounier e até “Sonhos” de Peninha prendendo a atenção do público e nos envolvendo através das suas sofisticadas harmonizações na guitarra num número que mesmo o silencio que ele deixa perpassar pelo seu canto não nos deixava a impressão de vazio.
A cada troca de instrumento, como um menestrel de canções e histórias Paulinho vai desconstruindo seu figurino, não deixando de arrancar assobios do público que o vê como um eterno menino ainda nos seus mais de 20 anos de carreira. Ao chegar na bela e sonora guitarra azul já está o Paulinho Moska “rock in roll” que encerra a passagem de “Violoz” por Fortaleza com “Mobile no Furacão” faixa que por sinal abre o seu disco Móbile lançado la em 1999.
A platéia sai feliz do teatro. Feliz por cantar junto de seu autor tantas canções adoradas como o sucesso “Pensando em Voce”. Feliz por ver seu artista apresentado esse tão maduro trabalho que em sua simplicidade não simplória nos mostra o que Paulinho Moska é. Um arquétipo. Um artista completo.
Por Marcos Lessa































