O ano era 1996, mês de janeiro. Foi numa noite absurdamente quente que a banda de Chicago, nos Estados Unidos, Smashing Pumpkins, teve sua primeira apresentação transmitida ao vivo para o público brasileiro. A emissora era a finada MTV Brasil e o evento era o finado Hollywood Rock.
Eles estavam tecnicamente fazendo o segundo show mais importante da noite, pois o headliner oficial era a banda inglesa The Cure. Mas ainda assim, o clima em torno do grupo liderado pelo vocalista Billy Corgan era tão especial que mais parecia que eles eram a principal atração da noite. E o motivo atendia pelo épico nome de Mellon Collie and Infinite Sadness, o terceiro álbum de estúdio da banda, que considero até hoje o mais importante álbum duplo da história do rock.
O álbum
Produzido pelo líder da banda, Billy Corgan, e por Alan Moulder e Flood, Mellon Collie and Infinite Sadness possuía 28 faixas e foi lançado como um disco duplo e como um LP triplo. Liderado pelo single “Bullet With Butterfly Wings”, o álbum estreou na primeira posição nas paradas da Billboard, pela primeira vez na história da banda, que já havia estourado com os dois primeiros trabalhos (Gish e Siamese Dream). Foram retirados outros quatro singles deste álbum durante 1996, o que culminou com o trabalho sendo certificado dez vezes com o disco de platina. Mellon Collie and Infinite Sadness está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.
Se “Bullet With Butterfly Wings” foi o cartão de visitas, certamente “Tonight Tonight” foi o grande representante do álbum no mundo todo. A canção, linda por si só, ainda ganhou um dos melhores videoclipes dos anos 90, que rendeu a banda dezenas de prêmios e consagração pelo público e pela crítica.
Mas ainda havia muita lenha para queimar. Se Billy Corgan desejasse, poderia tranquilamente ter lançado entre 7 e 10 singles de sucesso, pois o álbum tinha potencial para isso.
“1979”, outra canção que hoje já consideramos icônica e clássica, foi mais um petardo que ganhou videoclipe arrasador, um dos mais famosos clipes da década, pelo estilo que foi produzido e pelas imagens criadas. Neste momento, já sabíamos que Mellon Collie and Infinite Sadness era um trabalho diferenciado.
Mas ainda faltava a cereja do bolo e ela veio com a absurdamente linda “Thirty-Three”, uma das mais interessantes músicas gravadas pela banda em toda a sua trajetória. A música fechou com chave de ouro a lista de singles que ganharam videoclipes. Desta vez, entretanto, eles foram além e criaram uma experiência visual maravilhosa de ser vista.
A música título, “Mellon Collie And The Infinite Sadness”, um instrumental lindo que era utilizado como introdução dos shows nesta turnê era outro destaque, junto com canções como “To Forgive”, “Porcelina Of The Vast Oceans”, “Where Boys Fear To Tread e Zero”. Já deu para perceber a quantidade de grandes canções que o álbum trazia, não? Agora as imaginem em um único show.
Brasil
Voltamos então àquele Hollywood Rock de 1996. A banda entra com um cenário bem psicodélico à disposição, um telão bem utilizado, com cores e variações que davam um clima bem épico ao show. A canção título inicia a apresentação e o público se excita de uma forma que eu, lá na minha casa, sentia.
Música por música, eles vão apresentando o novo trabalho, com destaque para “Bullet With Butterfly Wings”, que naquele momento, era a mais conhecida do álbum, fazendo o público cantar e pular como nunca. Claro que coube aos maiores hits da banda o trabalho de catarse: “Today”, “Siamese Dream” e “Sherub Rock” enlouqueceram tudo. A banda estava no seu ápice criativo: Darcy, James Iha e Jimmy Chamberlin completavam o que era a melhor banda daquele ano, uma das melhores da década.
Sobrou até para o The Cure, que ganhou uma irônica homenagem da banda, que cantou um pequeno trecho de “Boy Don’t Cry”, sucesso clássico dos ingleses.
Por Cabine Cultural





























