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Entrevista inédita de Amy Winehouse ressurge após quase 20 anos e revela reflexões da cantora sobre fama, carreira e legado


Gravada em 2007 e publicada somente agora, conversa revela o temor da artista de morrer sem deixar sua marca na música. Divulgação coincide com as comemorações dos 20 anos de Back to Black, que ganhará edição especial e concerto em Londres.

Uma entrevista de Amy Winehouse, realizada em maio de 2007 e mantida inédita durante quase duas décadas, acaba de ser divulgada pelo jornal britânico The Sunday Times. Na conversa, a cantora, então com 23 anos, falou sobre o sucesso de sua carreira, o casamento com Blake Fielder-Civil, suas inseguranças e o medo que sentia de morrer sem deixar uma contribuição significativa para a música.

O material foi recuperado e publicado em outubro de 2026, justamente quando o segundo e último álbum de estúdio da artista, Back to Black, completa 20 anos. Lançado originalmente em 27 de outubro de 2006, o disco transformou Winehouse em uma estrela internacional e tornou-se um dos trabalhos mais influentes da música pop e soul das últimas décadas.

A entrevista foi conduzida pela jornalista Ariel Leve, no hotel Mondrian, em Sunset Boulevard, Los Angeles, poucos dias depois de Winehouse se casar com Fielder-Civil, em Miami. Naquele momento, o álbum já havia vendido mais de um milhão de cópias no Reino Unido e conquistado o disco de ouro nos Estados Unidos.

Durante a conversa, a cantora relembrou o início da carreira, quando começou a chamar a atenção da indústria musical ainda adolescente, depois de se apresentar em clubes de jazz de Londres. Questionada sobre como lidaria com a possibilidade de não alcançar o reconhecimento artístico, ela revelou uma preocupação que a acompanhava desde muito jovem.

“Quando eu era mais nova, sim. A ideia de morrer sem nunca deixar minha marca era o meu maior medo. Morrer sem deixar uma marca nas coisas. Sei que tenho apenas 23 anos, mas…”, declarou Winehouse.

A afirmação ganha uma dimensão particular diante de sua morte, em 23 de julho de 2011, aos 27 anos, em consequência de uma intoxicação alcoólica acidental.

Na entrevista, a cantora também demonstrou satisfação com o reconhecimento de Back to Black, embora não parecesse especialmente interessada em ampliar sua fama. Para ela, a realização artística estava mais relacionada à possibilidade de produzir músicas das quais pudesse se orgulhar do que à conquista de novos recordes comerciais.

“Eu me saí bem, entende? Acabei de fazer um álbum do qual tenho muito orgulho. Se eu morrer amanhã, tudo bem”, afirmou.

Apesar do sucesso internacional, Winehouse descreveu uma rotina ideal bastante distante do universo das celebridades. Disse que gostava de cuidar da casa, cozinhar para os amigos e passar tempo com pessoas próximas. Também falou sobre o relacionamento com Blake Fielder-Civil, com quem havia se casado pouco antes da entrevista.

As declarações apresentam uma artista que, embora estivesse no início de uma carreira internacional de grande repercussão, já demonstrava sentimentos contraditórios em relação à fama e à própria imagem. O material também ajuda a compreender a distância entre sua vida pessoal e a personagem frequentemente retratada pela imprensa sensacionalista da época.

Back to Black: o álbum que transformou Amy Winehouse em uma estrela mundial

Lançado em outubro de 2006, Back to Black representou uma mudança importante na trajetória de Amy Winehouse. Depois de apresentar uma sonoridade fortemente influenciada pelo jazz em seu álbum de estreia, Frank, de 2003, a cantora passou a explorar com maior intensidade o soul, o rhythm and blues e a música produzida por grupos vocais femininos nas décadas de 1950 e 1960.

O trabalho contou com a produção de Mark Ronson e Salaam Remi, responsáveis por desenvolver uma sonoridade que combinava referências da música clássica norte-americana com uma abordagem contemporânea. As letras, marcadas por experiências pessoais, relacionamentos amorosos e conflitos emocionais, tornaram-se um dos elementos mais reconhecidos de sua obra.

Entre as 11 faixas da edição original estão Rehab, You Know I’m No Good, Back to Black, Tears Dry on Their Own e Love Is a Losing Game, músicas que ajudaram a consolidar a identidade artística da cantora.

O álbum alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas, tornou-se o disco mais vendido de 2007 no Reino Unido e ultrapassou a marca de 25 milhões de cópias comercializadas mundialmente, segundo informações divulgadas nas comemorações de seu vigésimo aniversário.

O reconhecimento também chegou ao Grammy de 2008, quando Amy Winehouse conquistou cinco prêmios em uma única cerimônia, incluindo Gravação do Ano e Canção do Ano, ambos por “Rehab”, além de Artista Revelação e Melhor Álbum Vocal Pop.

A cerimônia representou um dos momentos mais importantes de sua carreira. Impedida de viajar aos Estados Unidos por problemas relacionados ao visto, a cantora participou da premiação por transmissão via satélite, diretamente de Londres, onde também apresentou algumas de suas músicas.

O sucesso de Back to Black contribuiu para ampliar o espaço do soul no mercado internacional e abriu caminho para uma nova geração de artistas que passaram a incorporar elementos do gênero à música pop.

Edição comemorativa terá gravações inéditas e apresentação ao vivo

Para marcar os 20 anos do álbum, a gravadora UMR/Island anunciou uma edição especial de Back to Black, com lançamento previsto para 23 de outubro de 2026, quatro dias antes do aniversário oficial do disco.

O projeto será disponibilizado em formatos físicos e digitais, incluindo versões em três LPs e três CDs, além de edições limitadas em vinil.

Entre os materiais adicionais estão quatro demos inéditas, lados B de singles, gravações alternativas e registros ao vivo. A edição também incluirá uma apresentação realizada por Winehouse em 8 de fevereiro de 2007, na casa de espetáculos Paradiso, em Amsterdã, durante a turnê de Back to Black.

O lançamento contará ainda com fotografias inéditas produzidas por Mischa Richter e Alex Lake, responsáveis por imagens associadas à edição original do álbum, além de novos textos escritos pelos produtores Mark Ronson e Salaam Remi.

Ao comentar o aniversário do disco, Ronson destacou a permanência das composições de Winehouse no repertório musical internacional.

“É incrível que seis músicas criadas em um momento de intensa inspiração musical tenham tanta importância para tantas pessoas vinte anos depois”, afirmou o produtor em declaração divulgada pela gravadora.

Salaam Remi também recordou a experiência de trabalhar com a cantora, destacando sua personalidade e seu envolvimento com o processo criativo.

“Amy era única. Uma artista única. Um espírito único. Uma alma única. Ter a oportunidade de conviver com um talento desse nível, paixão, humor, honestidade e amor pelo que ela criava foi uma dádiva”, declarou.

As comemorações também incluem um concerto especial em 21 de outubro, no Roundhouse, em Camden, Londres, com a participação de músicos que acompanharam Winehouse durante sua carreira.

Intitulado Back to Black 20, o espetáculo terá a execução integral do álbum pela The Amy Winehouse Band, com a participação dos produtores Mark Ronson e Salaam Remi, do diretor musical Dale Davis e de convidados como Jorja Smith e o grupo FLO.

A apresentação será gravada para exibição posterior pela BBC Two, enquanto a BBC Radio 2 transmitirá o concerto em 26 de outubro.

O Roundhouse tem um significado especial na história da artista. Foi nesse espaço que Winehouse realizou sua última aparição pública, em 20 de julho de 2011, quando subiu ao palco durante uma apresentação de sua afilhada, Dionne Bromfield. Três dias depois, a cantora foi encontrada morta em sua residência, em Camden.

Quinze anos após sua morte, Amy Winehouse continua sendo uma referência para intérpretes e compositores de diferentes gerações. Sua voz, a maneira como incorporou influências do jazz e do soul e a escrita autobiográfica de suas canções permanecem entre os principais elementos de seu legado.

A entrevista recuperada pelo The Sunday Times acrescenta um novo registro à trajetória da artista. Ao revelar o temor de morrer sem deixar sua marca, também evidencia o contraste entre as inseguranças que expressava aos 23 anos e a importância que sua música alcançaria nas décadas seguintes.


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