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Quer saber como é o show SOLO de Ana Carolina? O cantor Marcos Lessa viu a estreia e conta tudo


Cantor e compositor cearense, revelado pelo “The Voice Brasil”, Marcos Lessa é um grande pesquisador e apreciador da nossa música. Ele aceitou o convite de Midiorama para fazer um “review” do mais novo show de Ana Carolina, o primeiro show da cantora que assistiu na vida.

21h10. Soam os últimos três toques anunciando a entrada de Ana. Logo se manifestam no ostentoso Teatro RioMar os gritos da ansiosa legião de fans que aguarda as primeiras notas da voz da filha de Juiz de Fora serem entoadas. Ana entra no palco trajando seu preto habitual. Nos braços, o violão Godin, arma principal do seu novo e ousado trabalho, SOLO, revela que os 16 anos que a separam do lançamento de seu primeiro disco já são matéria-prima mais que o suficiente para lhe fazer encarar uma turnê voz e violão.

A noite de estréia de SOLO mostrou a Ana Carolina que seus fans adoram ver. Debochada. Irreverente. Moleca. E, claro, cantando muito. Arrisco dizer que a voz de Ana aos seus 41 anos está no auge de sua potência e maturidade. Evidentemente isso impacta mais ainda quando temos ninguém mais ninguém menos que o mestre Flavio Senna na técnica. O resultado dessa união de voz com o engenheiro de som dos gigantes resume-se em uma palavra. Perfeição.

A sobriedade do cenário nos faz manter o foco onde é realmente necessário: em Ana Carolina. Ana que logo no início do show faz questão de fazer dele uma espécie de “festinha do apê”:

“Aê galera, faz de conta que sou aquela chata que chegou na tua festa com o violão e começou a cantar”

Ana Carolina Solo - Fortaleza - Credito Remo Brandalise 17

O show segue num crescendo com o público sempre atento a todas as canções pinçadas por Ana que também mostra o domínio de sua técnica no violão. Em Linha de Passe de João Bosco e Aldir Blanc, Ana Carolina dá um banho de swing e brasilidade arrancando aplausos da plateia no meio da música, não deixando nada a desejar no tocante à linha de improvisos silábicos típicos das canções de João Bosco.

Em “Nomes de Favela”, de Paulo César Pinheiro, Ana Carolina revela a carioca que a habita, dando voz ao morro num show de interpretação. E por falar em morro e favela, o Funk “É Hoje”, sucesso de Ludmila, ganha roupa nova. Me lembrou a ousadia de Caetano quando cantou “Um Tapinha Não Dói”. Temos aí Ana Carolina demonstrando toda a força de sua segurança artística atuando meio como a “Mão de Midas”, que transforma tudo que toca em ouro.

Sem falar nas interpretações de “Coração Selvagem”, de Belchior, e “Um Amor Puro”, de Djavan, tirando qualquer sombra de dúvidas de que estamos diante de uma das maiores intérpretes desse país vivendo com intensidade um dos momentos mais bonitos de seu trabalho.

A participação do produtor musical e multiinstrumentista Mikael Mutti vem pra coroar essa turnê que já é sucesso.
Ana, se fosse só compositora, estaria consagrada; se fosse só violonista, chamaria a atenção de muita gente; se fosse só cantora já se destacaria como das maiores desse país.

A junção disso tudo numa pessoa só, resume-se a uma palavra que ela mesma adora: FODA.

Por Marcos Lessa

O Midioramigo Marcos Lessa, é cantor, compositor e apaixonado por MPB.

VAMO LESSA! Será o nome da coluna sobre MPB do artista em Midiorama, fique ligado!

 

Ana Carolina Solo - Fortaleza - Credito Remo Brandalise 18

 

 


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